Carreira

Mudar de carreira não significa que você fracassou na primeira

Querer mudar de carreira não prova que a primeira escolha foi um erro. Muitas vezes, prova que você mudou. A decisão de anos atrás foi tomada por uma pessoa com outras informações, outras experiências e outras prioridades, e pode ter feito todo o sentido naquele momento sem fazer mais hoje.

"Será que eu desperdicei todo esse tempo?"

Quem pensa em mudar de carreira costuma começar por essa pergunta. E ela já vem com a resposta embutida: se estou querendo mudar, é porque errei antes. Mas, olhando com calma, essa conta não fecha.

Essa conta compara a decisão de anos atrás com a pessoa que você é hoje, como se as duas tivessem que chegar ao mesmo lugar. É o tempo do relógio e do calendário, que os gregos chamavam de Kronos: linear, cheio de marcos ("com 30 eu já deveria…") e ótimo para se comparar com os outros. Mas existe outro jeito de olhar, que os gregos chamavam de Kairós: o tempo da sua história, das experiências que você viveu e do que elas mudaram em você. Nesse tempo, uma escolha não fica "errada" porque deixou de servir. Ela só pertence a outro momento.

Você escolheu com o que tinha

É raro alguém escolher a primeira carreira com a bagagem que só a vida adulta traz. A primeira decisão costuma nascer de um repertório mais estreito: o que se conhecia aos 17 ou 18 anos, o que estava ao alcance, as poucas profissões com que se teve contato de verdade, a opinião da família.

E todo mundo subestima o quanto ainda vai mudar. Pesquisas sobre personalidade e valores mostram que, em qualquer idade, as pessoas reconhecem facilmente o quanto mudaram nos últimos dez anos, mas acreditam que vão mudar pouco nos próximos dez. E mudam. Por isso, querer mudar de carreira muitas vezes é consequência de ter vivido mais, não de ter decidido mal lá atrás.

O problema não é a mudança, é a culpa

Trocar de carreira raramente é simples, e seria falso dizer o contrário. Envolve dinheiro, tempo, insegurança e, muitas vezes, a opinião de outras pessoas. Mas colocar "eu errei antes" no centro da pergunta tira espaço de pensar com clareza sobre o que vem a seguir. Enquanto a questão for de quem é a culpa, sobra pouco lugar para a decisão.

Então, antes de continuar julgando aquela decisão antiga, vale perguntar: o que, naquela época, fazia daquela escolha a que fazia mais sentido? E o que, na sua vida de hoje, já não é mais igual?

Pensar com método, e não sozinho

Se esse é o seu momento, seja a primeira escolha, uma transição ou só a vontade de mudar algo sem saber bem o quê, a Orientação Profissional e de Carreira é um processo feito para isso. Ele tem três fases: autoconhecimento, conhecimento da realidade das profissões e do mercado, e tomada de decisão com um plano de ação. A decisão continua sendo sua; o processo ajuda você a tomá-la com mais informação e menos culpa.

Perguntas frequentes

Mudar de carreira depois dos 30 é tarde demais?
Não existe idade certa para mudar de carreira. O que existe são condições diferentes em cada momento: dinheiro, responsabilidades, tempo disponível. Por isso a pergunta mais útil não é "é tarde?", mas "o que eu preciso para fazer essa mudança de um jeito possível para a minha vida agora?".

Qual a diferença entre orientação de carreira e mentoria de currículo?
A orientação profissional e de carreira ajuda você a decidir para onde ir, a partir de quem você é e da realidade das profissões. A mentoria de currículo e LinkedIn ajuda a se apresentar melhor para uma vaga. São trabalhos diferentes.

Gabriela de Campos Almeida é psicóloga (CRP 06/213003) e faz Orientação Profissional e de Carreira, online, individual e em grupo, para todo o Brasil e exterior. Trabalhou por nove anos em RH, com recrutamento e desenvolvimento de pessoas.

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